Rússia emite mandato de prisão contra viúva do opositor Alexei Navalny, morto na cadeia em fevereiro

A Rússia anunciou nesta terça-feira (9) que emitiu um mandado de prisão à revelia para a opositora exilada Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, que morreu na cadeia em fevereiro, sob a acusação de “participação em um grupo extremista”.

Yulia Navalnaya na cerimônia do Prêmio Liberdade de Mídia na Cúpula Ludwig Erhard no Lago Tegernsee, na Alemanha. Yulia Navalnaya aceitou o prêmio em seu nome e em nome de seu falecido marido.
Yulia Navalnaya na cerimônia do Prêmio Liberdade de Mídia na Cúpula Ludwig Erhard no Lago Tegernsee, na Alemanha. Yulia Navalnaya aceitou o prêmio em seu nome e em nome de seu falecido marido. AFP – LUKAS BARTH
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“Yulia Borissovna (Navalnaya) escapou da investigação preliminar e, portanto, foi colocada na lista de procurados”, disse o serviço de imprensa dos tribunais de Moscou no Telegram. O tribunal de Basmanny, na capital russa, também ordenou que a oponente, que vive no exterior, fosse mantida sob custódia à revelia.

Yulia Navalnaya prometeu continuar o combate de seu marido, o inimigo número um de Vladimir Putin, após sua morte em circunstâncias obscuras em sua prisão no Ártico, em fevereiro de 2024. Após a ordem de prisão ela pode, portanto, enfrentar uma detenção certa, caso retorne à Rússia.

Seguindo os passos de Navalny, Navalnaya pediu aos apoiadores do líder da oposição que não percam a esperança e denuncia regularmente as autoridades russas e o destino dos dissidentes na Rússia nas redes sociais. Na época, ela disse que queria continuar a luta pela “bela Rússia do futuro”.

O ex-braço direito de Alexeï Navalny, Leonid Volkov, que também vive em exílio no exterior, ironicamente saudou a decisão do tribunal russo nesta terça-feira. “Um belo reconhecimento da determinação de Yulia em continuar a luta de Alexei”, escreveu ele no X.

A repressão na Rússia nos últimos anos colocou quase todos os oponentes de destaque atrás das grades ou os levou ao exílio no exterior.

Milhares de russos comuns também foram presos por atos de protesto ou por suas críticas à ofensiva na Ucrânia, e muitos receberam sentenças muito pesadas.

Lugar de Putin “é na prisão”

Na plataforma X, Yulia Navalnaya se dirigiu a seus apoiadores, pedindo que não se concentrassem na decisão judicial contra ela, mas na batalha a ser travada contra o presidente russo Vladimir Putin.

Quando vocês escreverem sobre isso, peço que não se esqueçam de escrever a coisa mais importante: Vladimir Putin é um assassino e um criminoso de guerra”, declarou ela nesta terça-feira.

“O lugar dele é na prisão, e não em algum lugar em Haia, em uma cela confortável com televisão, mas na Rússia, na mesma colônia penal e na mesma cela de 2 x 3 metros em que ele matou Alexei”, acrescentou.

O Kremlin sempre negou qualquer envolvimento na morte de Navalny.

Desde a morte de seu marido, Yulia Navalnaya tem se encontrado com vários líderes internacionais, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden.

Envenenamento de opositores

No dia 5 de julho, outro opositor russo, Vladimir Kara-Mourza, que sobreviveu a duas tentativas de envenenamento antes de ser preso e condenado a 25 anos de prisão, foi internado em um hospital penitenciário, segundo sua esposa e seus advogados. “Seus advogados não foram autorizados a vê-lo”, postou sua esposa Yevgenia no Facebook, sem especificar por que ele teve que ser hospitalizado.

De acordo com o canal do Telegram de Kara-Mourza, seus advogados disseram que foram informados da transferência na véspera, após horas de espera para ver seu cliente preso em uma colônia penal em Omsk, na Sibéria.

Em seguida, esperaram em vão durante todo o dia para serem autorizados a entrar no hospital, também em Omsk. “Portanto, não puderam verificar se ele estava bem antes do fim de semana”, durante o qual as visitas não são permitidas, de acordo com o canal Telegram.

As pessoas próximas ao líder da oposição têm se preocupado com seu estado de saúde há vários meses.

De acordo com eles, Vladimir Kara-Mourza, cidadão russo-britânico de 42 anos, sofre de polineuropatia após os dois envenenamentos que sofreu em 2015 e 2017.

(Com AFP)

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